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Decisão monocrática
Atenção: O texto abaixo representa a transcrição de Decisão monocrática. Eventuais imagens serão suprimidas.
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO DO PARANÁ 5ª TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS Autos nº. 0004596-94.2025.8.16.0045 Recurso: 0004596-94.2025.8.16.0045 RecIno Classe Processual: Recurso Inominado Cível Assunto Principal: Repetição do Indébito Recorrente(s): SILVIO JOSE FERREIRA Recorrido(s): TELEFONICA BRASIL S.A. DECISÃO MONOCRÁTICA. RECURSO INOMINADO. AÇÃO DE RESCISÃO CONTRATUAL POR CULPA EXCLUSIVA DA REQUERIDA COM PEDIDO DE DANOS MORAIS. IMPUGNAÇÃO AO BENEFÍCIO DA ASSISTÊNCIA JUDICIÁRIA GRATUITA AFASTADA. TELEFONIA. COBRANÇA INDEVIDA DE MULTA POR QUEBRA DE FIDELIDADE. DANOS MORAIS NÃO CONFIGURADOS. SITUAÇÃO QUE NÃO ULTRAPASSA O MERO DISSABOR. AUSÊNCIA DE PROVA DA OFENSA À HONRA, IMAGEM OU DIGNIDADE DO CONSUMIDOR. REFLEXOS PURAMENTE PATRIMONIAIS. SENTENÇA MANTIDA POR SEUS PRÓPRIOS FUNDAMENTOS (LJE, ART. 46). Recurso conhecido e desprovido. Trata-se de ação de rescisão contratual por culpa exclusiva da requerida, com pedido de danos morais. Narra o autor, em síntese, que contratou os serviços da requerida de internet fixa e móvel. Sustenta que, em razão da mudança de residência para outro endereço, a autora negou a continuidade de prestação dos serviços, lhe cobrando uma multa no valor de R$ 534,92 referente a quebra de contrato. Pelo exposto, requereu a condenação de requerida ao pagamento de indenização por danos materiais e morais (mov. 1.1). Sobreveio sentença julgando parcialmente procedentes os pedidos iniciais, para o fim de condenar a parte ré à restituição em dobro do valor indevidamente cobrado, de R$ 1.069,84 (mov. 30.1). Inconformada, a parte autora interpôs recurso inominado. Na oportunidade, requereu a reforma da sentença para que seja a ré condenada ao pagamento de indenização por danos morais (mov. 34.1). O recurso foi recebido (mov. 44.1) e as contrarrazões foram apresentadas (mov. 47.1). É o relatório. Passo à decisão. Satisfeitos os pressupostos viabilizadores da admissibilidade do recurso, merece conhecimento. Julgamento monocrático No presente caso, é cabível o julgamento monocrático, com fundamento no art. 932 do CPC e no art. 12, inciso XIII, do Regimento Interno das Turmas Recursais dos Juizados Especiais do Estado do Paraná, observado o teor da Súmula 568 do STJ, pois há posição unânime na Turma Recursal sobre a questão devolvida. Impugnação à gratuidade da justiça A recorrida afirma que a parte recorrente não é hipossuficiente financeiramente, na forma alegada. As alegações, porém, são carentes de qualquer prova, não sendo aptas para afastar a presunção de hipossuficiência, vez que a impugnante não demonstrou, de forma inequívoca, que a parte recorrente possui condições financeiras para arcar com as custas e despesas processuais, ônus que lhe incumbia. Isso posto, deve ser rejeitada a impugnação e mantida a gratuidade da justiça. Mérito Cinge-se a controvérsia recursal acerca da ocorrência de danos morais indenizáveis, em virtude de cobrança indevida de multa por quebra de fidelidade. No caso, restou demonstrado que a rescisão contratual ocorreu em razão da mudança de endereço do autor e da indisponibilidade dos serviços da ré no novo local (mov. 1.8), circunstância que torna indevida a cobrança da multa contratual por quebra de fidelidade. Todavia, tal fato, por si só, não é capaz de caracterizar dano extrapatrimonial ao consumidor, mostrando-se imprescindível a demonstração efetiva da lesão a direitos de personalidade. Nesse sentido: DECISÃO MONOCRÁTICA. RECURSO INOMINADO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXIGIBILIDADE DE DÉBITO C/C INDENIZATÓRIA. ALEGAÇÃO DE COBRANÇA INDEVIDA DE DÍVIDA PRESCRITA ATRAVÉS DE SISTEMA DO SERASA. SENTENÇA DE IMPROCEDÊNCIA. INSURGÊNCIA RECURSAL DA PARTE REQUERENTE. COBRANÇA EXTRAJUDICIAL DE DÉBITO PRESCRITO. INEXIGIBILIDADE. PRECEDENTE DO STJ. DÉBITO DECLARAÇÃO DE INEXIGIBILIDADE. MERA ANOTAÇÃO NO SERASA LIMPA NOME. SIMPLES COBRANÇA INDEVIDA QUE NÃO GERA DANOS MORAIS. PRETENSÃO INDENIZATÓRIA DESCABIDA. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. (TJPR - 5ª Turma Recursal dos Juizados Especiais - 0001620- 85.2022.8.16.0024 - Almirante Tamandaré - Rel.: JUÍZA DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS FERNANDA DE QUADROS JORGENSEN GERONASSO - J. 28.02.2024). RECURSO INOMINADO. TELECOMUNICAÇÕES. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO CUMULADA COM PEDIDO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. CONTRATAÇÃO FRAUDULENTA DE SERVIÇOS DE TELEFONIA FIXA. FALHA NA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS. COBRANÇA INDEVIDA SEM INSCRIÇÃO EM CADASTROS DE INADIMPLENTES. FATOS QUE NÃO GERAM, IN RE IPSA, ABALO MORAL INDENIZÁVEL. RECURSO CONHECIDO E DESPROVIDO. (TJPR - 5ª Turma Recursal dos Juizados Especiais - 0005332- 67.2023.8.16.0018 - Maringá - Rel.: JUÍZA DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS MANUELA TALLÃO BENKE - J. 24.02.2024). DECISÃO MONOCRÁTICA. RECURSO INOMINADO. TELECOMUNICAÇÕES. COBRANÇA INDEVIDA. AUSÊNCIA DE MAIORES REFLEXOS. INEXISTÊNCIA DE INCLUSÃO DO NOME DA PARTE NOS CADASTROS DE PROTEÇÃO AO CRÉDITO. CALL CENTER. RECLAMAÇÃO ADMINISTRATIVA NÃO IMPÕE O RECONHECIMENTO AUTOMÁTICO DE FALHA NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO. AFRONTA AOS DIREITOS DA PERSONALIDADE NÃO COMPROVADA. DANO MORAL NÃO CONFIGURADO. PRECEDENTES DO STJ. PRECEDENTES DESTA TURMA RECURSAL. SENTENÇA REFORMADA. RECURSO PROVIDO. (TJPR - 5ª Turma Recursal dos Juizados Especiais - 0010105- 74.2023.8.16.0045 - Arapongas - Rel.: JUÍZA DE DIREITO DA TURMA RECURSAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS CAMILA HENNING SALMORIA - J. 20.02.2024). Isto porque, o dano moral consiste na lesão de um direito causado por um ato ilícito que fere o sentimento mais íntimo da pessoa, abala a sua honra, fere direitos de personalidade, de modo que, para a comprovação, é imprescindível a demonstração das condições nas quais ocorreu a ofensa à moral, à honra, à personalidade, à dignidade do consumidor. No caso em comento, há uma narrativa genérica do suposto abalo moral sofrido pela parte autora, de tal sorte que não se pode presumir que a cobrança indevida tenha gerado qualquer angústia ou abalo a justificar a indenização pretendida e, portanto, os fatos narrados não ultrapassam o mero dissabor da vida cotidiana. Noutros termos, o fato narrado não gera direito a indenização por danos morais, por não se tratar de dano moral “in re ipsa”, tornando-se imperiosa a comprovação da ofensa moral sofrida pelo indivíduo, o que não aconteceu no caso. Ante o exposto, decido monocraticamente pelo desprovimento do recurso, conforme razões expostas acima, devendo ser mantida a sentença por seus próprios fundamentos (LJE, art. 46). Com base no art. 55 da Lei nº 9.099/95, a parte recorrente deve ser condenada ao pagamento das custas processuais e honorários advocatícios, que arbitro em 15% sobre o valor da condenação. Observe-se a concessão da justiça gratuita à parte recorrente. Curitiba, 13 de março de 2026. José Daniel Toaldo Juiz (a) relator (a)
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